A Carga Invisível: Os Desafios e Riscos à Saúde no Transporte Rodoviário

O setor que move o Brasil enfrenta uma crise silenciosa: a soma de fatores físicos, mentais e organizacionais que coloca em xeque a vida de milhares de trabalhadores das estradas.

SAÚDE E BEM ESTAR

Tiago Capel

1/9/20262 min read

IMAGEM GERADA POR IA MOSTRA Os Desafios e Riscos à Saúde no Transporte Rodoviário
IMAGEM GERADA POR IA MOSTRA Os Desafios e Riscos à Saúde no Transporte Rodoviário

O transporte rodoviário é a espinha dorsal da economia brasileira, mas o custo humano dessa operação é elevado. Para além dos perigos visíveis do asfalto, como colisões e roubos, uma complexa rede de riscos ergonômicos, psicossociais e biológicos acompanha motoristas e ajudantes em cada quilômetro rodado. Especialistas alertam que o adoecimento no setor não decorre de um fator isolado, mas da combinação de jornadas exaustivas com uma infraestrutura muitas vezes precária.

O Perigo Imediato: Além das Falhas Mecânicas

Os acidentes de trânsito continuam sendo a maior causa de fatalidades. Entretanto, a análise vai além da imprudência. O estado das rodovias — marcado por buracos e sinalização deficiente — somado à falta de manutenção preventiva dos veículos, cria um ambiente de insegurança constante. Quando o ambiente de trabalho é uma estrada perigosa, a margem de erro para o trabalhador torna-se perigosamente estreita.

O Corpo que Cobra o Preço

A ergonomia é um dos pontos críticos. Passar horas na mesma posição, sob a vibração constante do motor, não causa apenas desconforto; gera patologias crônicas. Dores lombares e o surgimento de LER/DORT (Lesões por Esforços Repetitivos) em ombros e joelhos são queixas onipresentes. Muitas vezes, o esforço físico exaustivo no manuseio de cargas agrava um quadro já debilitado pela postura incorreta ao dirigir.

A Mente sob Pressão

O impacto emocional é, talvez, a face mais negligenciada. A pressão por prazos apertados e o medo constante da violência (assaltos e furtos) elevam os níveis de cortisol, resultando em estresse crônico. O resultado é um efeito cascata: ansiedade e insônia levam à fadiga, que por sua vez aumenta drasticamente o risco de erros fatais na condução do veículo.

O Estilo de Vida como Fator de Risco

A rotina da estrada é inimiga da saúde preventiva. A dificuldade em encontrar alimentação balanceada e locais seguros para o descanso favorece o surgimento de doenças silenciosas, como a hipertensão e o diabetes. Além disso, a apneia do sono, comum em motoristas com sobrepeso, é uma "bomba-relógio" que compromete o reflexo e a atenção.

Guia Prático: Gestão de Riscos e Prevenção

Para auxiliar no treinamento e na conscientização, organizamos os principais pontos em um quadro educativo que relaciona os riscos aos seus impactos e às formas de mitigação.

Cuidar da saúde de quem transporta o Brasil não é apenas uma questão de bem-estar individual, mas de segurança pública e eficiência logística. Investir em prevenção é o único caminho para garantir que a carga chegue ao destino sem que a vida do trabalhador fique pelo caminho.